terça-feira, 4 de março de 2008

Sentada na esplanada

As pessoas são seres estranhos...sentada na esplanado do café observo a forma como as pessoas bebem o café, como se olham umas as outras, como expressam coisas que não querem, mas faz parte do sistema de impulsos que nos conduz reagir daquela forma...quando estamos sozinhos, sem preocupação nenhuma, não reparamos nas expressões que a nossa cara, o nosso corpo, transmite...e o olhar...mais forte do que qualquer palavra...mas seja como for, e voltando à minha cadeira de esplanada...as pessoas sentam, olham em volta, pedem o que querem, consomem, pagam e vão embora...a hora de almoço é curta e é preciso beber um café para aguentar a tarde de trabalho...os ritmos são estranhos, desconexos uns dos outros...o corpo não se relaciona com o cerebro neste momento...vão a pensar nos problemas e o corpo já sabe exactamente para onde se tem de dirigir, sabe onde está a pedra onde se pode tropeçar, ou a pessoa a quem sorrir e aquelas cabeças sempre a pensar em outras coisas...eu continuo sentada na cadeira...penso sériamente na sensação estranha que aquela cadeira está a dar ao meu corpo...começo a sentir formas estranhas...será que as outras pessoas também pensam nisso? Mas estou bem, confortável com os meus pensamentos e com o meu corpo...tão simples quanto mudar de posição...o ser humano é realmene algo complexo...as pessoas têm vergonha delas próprias mesmo só enquanto se deslocam calmamente para beber um café...criticam-se muito, olham-se demais...acho que só me consigo comparar com as crianças que vêm para as esplanadas e se juntam a brincar enquanto os pais têm conversas importantes com colegas e amigos...aquelas crianças que não sabem ainda tanta coisa mas também não querem saber...brincam, reagem aos impulsos e estimulos de uma forma tão espontânea, tão simples, tão...viva!! E aqueles olhos que brilham de felicidade quando correm e saltam...e que vontade a minha de estar ali com aquelas crianças, a sentir a mesma felicidade que eles sentem, porque felizmente nós ainda temos uma fase na vida em que sabemos viver sem questionar a vida, sem colocar entraves às nossas vidas...mas também, se soubermos crescer e guardar aquele bocadinho de nós que é criança vamos sempre saber que temos de viver a vida, porquê? Não interessa, não se entende e mais nada, faz parte da vida muitas coisas que não entendemos!!!

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